Fenômeno Maxxing
E se a busca pela sua melhor versão nunca terminasse?
Você pode melhorar o corpo, a alimentação, a produtividade, o sono, a carreira, os hábitos. E, ainda assim, sentir que precisa fazer mais. É nesse contexto que surge o MAXXING, um fenômeno que ganhou força nas redes sociais, especialmente entre a Geração Z, e que começa a atravessar também o ambiente de trabalho.
A ideia de buscar evolução não é, por si só, um problema. O que merece atenção é quando melhorar deixa de ser uma escolha e passa a ser uma cobrança constante: mais produtividade, mais desempenho, mais disciplina, mais resultados.
Na psicologia, porém, vale olhar para além do comportamento: o que faz alguém sentir que a versão atual de si mesma nunca é suficiente? Por trás da busca incessante por aperfeiçoamento podem existir medo de fracassar, necessidade de aprovação, comparação constante, baixa autoestima ou a sensação de que o próprio valor depende daquilo que se consegue alcançar.
Aos poucos até o descanso parece perda de tempo. O autocuidado pode virar performance. E a própria identidade pode começar a ser tratada como um projeto que precisa estar sempre em atualização.
Evoluir é saudável. O problema começa quando você precisa estar sempre melhor para conseguir se sentir bem consigo mesmo, só causando sofrimento.
Será que em algum momento também não precisamos aprender a reconhecer a versão que já existe?
O ponto não é questionar a busca pela evolução, mas perceber quando ela deixa de ser desejo e passa a ser sofrimento.