A vergonha
A vergonha não faz barulho. Ela aparece em pensamentos que parecem apenas cautela, educação ou timidez. Essa emoção faz com que a gente se torne o próprio espectador mais severo. Ela nos convence de que estamos sendo observados o tempo todo, quando esse olhar crítico existe principalmente dentro de nós.
Diferente da culpa, que costuma estar relacionada ao que fizemos, a vergonha atinge quem acreditamos ser. Ela sussurra que não somos bons o suficiente, interessantes o suficiente ou capazes o suficiente. E, para evitar a dor de uma possível exposição, começamos a diminuir nossa presença: falamos menos, perguntamos menos, nos mostramos menos.
Viver tentando não ser visto também significa deixar de ocupar lugares que poderiam ser nossos.
Reconhecer a vergonha não significa nunca mais senti-la, mas perceber quando ela conduz suas escolhas e decidir, pouco a pouco, não entregar a direção da sua vida para esse medo.
Você já deixou de fazer algo porque imaginou o que os outros poderiam pensar?