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"Fleabag" e o cansaço de ser forte o tempo todo

  • 23 de jun.
  • 1 min de leitura

Nem toda independência é liberdade. Às vezes, é só uma proteção emocional bem disfarçada.

Existe uma cena na série “Fleabag” em que a personagem principal desabafa: "Quero alguém que me diga o que vestir de manha. Quero alguém que me diga o que comer, do que gostar, detestar, o que ter raiva, o que escutar [...] Em quem votar, em quem amar [...]. Acho que quero alguém que me diga como viver a minha vida, porque até agora parece que fiz tudo errado."

Essa fala parece ser sobre alguém extremamente cansada, cansada de sustentar a própria existência sozinha, na medida em que fazer escolhas rotineiras parece um fardo. 

Algumas pessoas aprendem que depender emocionalmente dos outros não é seguro. Precisar é sinônimo de frustração, rejeição, ausência. Elas desenvolvem uma autonomia extrema, não demonstram necessidade, não pedem ajuda, não dependem. 

Por fora, é uma pessoa super independente e autosuficiente, que lida com a vida de forma muito prática. Lida, mas não sente. Por dentro pode haver dentre outros sentimentos, um medo gigantesco em se relacionar, em estar vulnerável ou em deixar ser ajudado.

E é por isso que a fala de Fleabag dói tanto. No fundo, a personagem não quer alguém para escolher sua roupa, ela quer descansar da responsabilidade de ter que se regular sozinha o tempo inteiro. Existe uma solidão específica em ser “forte demais” que é de nunca ter experienciado um vínculo seguro que não invade, não humilha, não abandona.


 
 

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